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Bola Virtual: Uma convocação coerente. Para o 4-4-2 18:13 09/04/2002





Alberto Helena Jr.

O curioso nessa convocação do técnico Felipão é que seria uma lista absolutamente coerente caso o Brasil estivesse sendo preparado para jogar no sistema convencional, com quatro zagueiros, quatro meio-campistas e dois avantes.

Sim, porque observe o amigo que o técnico chamou apenas quatro zagueiros e não seis, como seria de se supor na formação 3-5-2, entre reservas e titulares.

Claro que pode, numa eventualidade, recuar Gilberto Silva para a zaga, posto que esse jogador nasceu ali, antes de se transformar em volante da mais alta qualidade. Mas, trata-se sempre de uma improvisação.

Improvisação ainda menos ajuizada caso Gilberto Silva ganhe um lugar no meio-campo titular, seja no lugar ou ao lado de Emerson. Pois, nesse caso, para cobrir uma posição teria de mexer em duas.

Contudo, Felipão deixou claro que continua ainda em dúvida se levará quatro ou cinco zagueiros para a Copa. Optou por quatro para esse jogo contra Portugal, apenas.

Por isso, Juan não precisa arrancar os cabelos. Ainda lhe resta uma esperança. Esperança que deve estar fugindo de vez de Belletti, para cujo posto - o de reserva de Cafu -, Felipão optou por Paulo César, do Flu. Escolha justíssima e de bom senso.

Não apenas porque, tecnicamente, Paulo César seja mais bem dotado do que Belletti. É também mais equilibrado emocionalmente e dono de um petardo de direita respeitável. Por fim, atua nas duas laterais, embora não me agrade quando vá pela esquerda por ser destro demais, o que o impede de ir à linha de fundo com a frequência e a eficiência indispensáveis para o posto.

No meio-de-campo, entre Kaká e Juninho Paulista, Felipão optou pela diferença. Não, técnica, mas de estilo, segundo o próprio treinador. Diz ele que, no estilo de Kaká, já dispõe de Ronaldinho Gaúcho, o que insere o meia do Paris-St. Germain no meio-de-campo e não no ataque, como vem relacionado.

Nesse caso, há um excesso de meias: Kleberson, Djalminha, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Juninho Paulista, mesmo admitindo-se que o técnico escalará, como disse, um volante apenas (leia-se Emerson ou Gilberto Silva): são cinco para duas posições apenas.

O setor que se formou sob o signo da coerência foi o ataque, inclusive pela ausência de Romário. Coerência, em relação ao pensamento expresso até agora pelo treinador, não em relação aos fatos, diga-se. Afinal, Romário tem bola ainda para estar não só entre os 23 da Copa, mas, entre os 11 titulares.

Mas, no lugar de Romário foi chamado aquele que o próprio Baixinho considera seu parceiro ideal - o mineiro Euller, do Vasco.

Ah, mas não faz com os dois pés o que dois dedos de Romário são capazes.
Acontece que, se Felipão quer um ataque formado por um atacante de meio, mais fixo, como Luizão e Ronaldinho Fenômeno, e outro veloz, expert em explorar os flancos, Euller é dos que melhor cumprem essa função no futebol brasileiro atual.

Aliás, Felipão, na entrevista coletiva, acenou com a possibilidade de até jogar com três atacantes, no velho estilo: dois pontas e um centroavante.
E descobriu a pólvora ao dizer que Denílson, pela esquerda, hoje em dia, jogando pelo Betis, quando o adversário está de posse da bola, acompanha o lateral até as próximidades de sua própria área. Coisa que, segundo o técnico, Denílson não fazia por aqui.

Fico pasmo diante de tamanha desinformação de um técnico de Seleção Brasileira. Pois, Denílson, no São Paulo, cansou de cumprir essa função. Aliás, é um dos raros avantes que sabe roubar a bola do adversário sem fazer falta. Se não fez isso no Flamengo ou na Seleção foi porque os técnicos enfiaram na cachola que ele não passa de um ponta driblador, um enfeite de Natal, pra ser utilizado só na hora da festa.

Meno male que a luz vá se fazendo antes do tormento da Copa.
Mas, voltando ao eventual trio atacante. Imagine o amigo - Euller ou Edílson, Ronaldinho Fenômeno e Denílson. Tudo bem, mas e no meio? Na formação com três zagueiros, o meio-de-campo deveria ser formado por apenas dois - um volante e um meia. Por exemplo: Emerson e Rivaldo ou Djalminha, quem sabe Ronaldinho Gaúcho, à escolha do freguês.
Assim, porém, esse setor ficaria extremamente vulnerável.

Mas, se o sistema fosse o de dois zagueiros, Felipão ganharia mais um no meio-de-campo (nesse caso, Kleberson, o mais indicado) e estaria perfilado num já clássico 4-3-3, aquele dos tempos em que se amarrava cachorro com linguiça.

O mesmíssimo, aliás, que serve como uma luva para a França, campeã do mundo.

Quem diria, hein?
 
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