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Fernandes


Surpresa: o Corinthians divulga a contratação de Freddy Rincón, um dos principais jogadores na vitoriosa campanha do primeiro Mundial de Clubes, conquistado em 2000. "Ele não está com 37 anos? Não está parado dois anos? Deve estar gordo". Os comentários da mídia foram muitos e quase sempre desfavoráveis ao anúncio alvinegro.

Realmente, o jogador se apresentou um pouco acima do peso. Mas perdeu cinco quilos em um mês de condicionamento físico e os testes realizados nesta pré-temporada demonstraram que os índices de resistência do colombiano ainda são plenamente satisfatórios.

Mas não basta ter pulmão. O desafio de vencer no futebol novamente é enorme. E Rincón está preparado. O volante colombiano tem experiência suficiente para saber que ainda pode disputar o "jogo" e aceitar o risco de manchar o passado vitorioso no clube.

Nesta entrevista concedida por Rincón para a Gazeta Esportiva.Net, o volante conta porque decidiu voltar ao futebol. E confessa: gostaria que o tempo parasse em 2004.


Gazeta Esportiva.Net: Retornar aos gramados com 37 anos e após dois anos de inatividade representa um ato corajoso?
Rincón: Não, para mim não é um ato de coragem. Para mim, é querer jogar independentemente da idade que tenho. Do jeito que eu me sinto, do jeito que eu trabalho, sou igual a todo mundo, a única situação que tenho é a seguinte: estou me sentindo muito bem.

GE Net: Você jogou no Palmeiras da Parmalat, Cruzeiro e Santos, mas experimentou o melhor momento, de verdade, no Corinthians. O que havia no clube para você deslanchar e obter sucesso?
Rincón: Eu acho que pelo meu próprio temperamento. Falam que o Corinthians é o time da raça, da paixão, então, o meu futebol atrai essa classe (tipo) de coisas. E por isso a afinidade.


GE Net: Por essa passagem vitoriosa, criou-se a imagem do Rincón vencedor. Aquela cena de você levantando a taça do Mundial de Clubes é inesquecível. Não tem medo de as coisas não funcionarem bem e você manchar essa imagem?
Rincón: Não vou manchar a imagem se fizer o trabalho que sei fazer. Eu não fiz o trabalho aqui por causa de uma situação diferente. Eu vou fazer porque sou assim. Não pensei assim: Se não for bem, minha imagem não vai ficar bem. Eu voltei porque quero jogar e, por causa disso, não voltaria para manchar meu nome. É lógico que o futebol acontece em grupo, mas minha parte eu vou fazer porque é dessa forma que sei jogar.


GE Net: Rogério é o atual capitão do Corinthians, mas você possui experiência enorme e a admiração de todo o elenco, inclusive do Rogério. Como será sua reação caso o Juninho Fonseca decida que você será o capitão do Corinthians?
Rincón: Para mim, a palavra número um no futebol e em qualquer coisa é o respeito. Essa questão de capitão nem o próprio técnico consegue definir direito. O técnico pode dar a ordem de você ser o capitão, mas tem uma pessoa que já tem sido e você não pode passar por alto (cima). Eu conversaria com ele (Rogério), sim. Eu acho que isso é respeito e seria a situação mais clara para eu ficar tranqüilo.


Rincón e o futuro

GE Net: Qual deve ser o principal objetivo do Corinthians na próxima temporada? É preciso conquistar um título porque os rivais – São Paulo e Santos - estão disputando a Copa Libertadores ou a possível classificação para o torneio internacional acalmaria a torcida?
Rincón: No Corinthians, o objetivo claro é a vitória. Independentemente se é (Campeonato) Paulista ou não sei o que. Para mim, o importante é ganhar títulos e procurar sempre conseguir coisas boas. Isso é o que importa. Lógico que voltar para a Libertadores é uma situação totalmente diferente porque os outros são títulos que o Corinthians já conquistou. A torcida pede aquilo que não conseguiu. Mas acho que agora é o Paulista e temos de procurar conseguir esse objetivo.

GE Net: Por falar em Libertadores, porque o Corinthians não consegue se livrar do rótulo de time caseiro?
Rincón: Eu acho como todos: Às vezes, demora. O Corinthians demorou muito tempo para conseguir um Campeonato Paulista ou Brasileiro e agora ficou uma coisa mais “light”, como se fala. Hoje a equipe consegue ganhar os títulos com facilidade maior pelo desenvolvimento de seu elenco e muitas coisas que não existiam na época. São situações que acontecem. A Libertadores é um campeonato que não é fácil porque (o time) vai atrás de um objetivo de nível sul-americano. Encara times diferentes. Talvez, a atitude que o Corinthians tem no campeonato aqui (Brasil) poderia ter sido colocada na Libertadores porque eu acho que é a correta.


GE Net: A idéia é participar de quantas temporadas neste seu retorno?
Rincón: Eu vou te falar uma coisa. Às vezes, você avalia suas situações pelo trabalho que realiza. Eu levei um mês e pouco trabalhando em cima daquilo que o Moraci (Santanna, preparador físico) mandou. Penso em, talvez, jogar mais dois anos e parar. Eu me sinto bem e quando isso acontece...é tipo o Valdo (jogador do Botafogo). Às vezes, você coloca alguns anos e acaba jogando (até) os mesmos 40 anos do Valdo.


GE Net: É difícil abandonar o futebol?
Rincón: Eu estava conversando hoje (sábado) de manhã com o Rivellino e ele estava falando que sente saudades. Rivellino faz tempo que parou de jogar e ainda assim tem saudades. E você é um jogador com aquele intuito de parar, então, já fica com aquela coisa. Outros companheiros, falam que é duro. Eu fico comentando dos meus dois anos e pouco (parado), o Rodrigo do ano e pouco que ficou fora. É uma coisa difícil e você evita falar sobre isso porque quer que o tempo pare.


GE Net: O que pretende fazer depois do futebol? Pretende ser treinador?
Rincón: Eu vou te falar, trabalho de campo não te garanto uma porcentagem muito alta, não (risos). É tanta coisa vivida e você fica em cima do muro.

Preconceito e a decisão de morar no Brasil

GE Net: Eu escutei você em uma entrevista dizendo que sofreu muito preconceito no Real Madrid. Conta um pouco dessa experiência.
Rincón: Foi uma questão que incomoda demais e segue (incomodando) hoje. Isso representa uma coisa muito forte na minha vida, ficou para sempre. Nunca imaginei que estivesse acontecendo dessa forma. Mas foram situações que eu digeri muito bem. Como falei naquele dia, se isso é uma barreira para que os meus filhos não passem pela mesma coisa, então, foi bem-vinda também. Sentir na sua pele não é a mesma coisa de ver seus filhos passarem por isso (sofrimento).



GE Net: Porque o futebol da Colômbia, promissor na década de 90, caiu a um nível tão baixo neste momento?
Rincón: Eu acho que o futebol colombiano cresceu tanto, mas parou no nível direcional. Isso fez o futebol parar. Acho que o futebol colombiano deveria ter uma estrutura melhor para que fosse um crescimento geral, mas não aconteceu. Parou muitas coisas e isso fez com que não seguisse a evolução.

GE Net: Qual o sentimento de um colombiano que não consegue morar em seupaís por causa da violência perpretada pela atuação por décadas da FARC (guerrilha armada) e do narcotráfico?
Rincón: Eu vou te falar uma coisa: às vezes, tudo que sai nos jornais não é aquela coisa (verdade). Eu respeito vocês jornalistas, mas muitas vezes o interesse de vender internacionalmente (uma notícia) faz com que vocês exagerem na questão da imagem. Eu sinceramente falaria para vocês tentarem passear pela Colômbia para pesar a diferença entre estar no país e as notícias que chegam. Não são tantas coisas. Do jeito que falam, parece que a Colômbia é uma escala menor que o Iraque. Não é assim. Também não vou ser ingênuo de falar que não é bem assim, mas eu vinha falando com uma pessoa no avião (retornando ao Brasil na semana passada) e ele falou que a Colômbia é legal para caramba. Lógico que eu me sinto incomodado porque no meu país, de três notícias boas, dez são ruins. Mas eu sei o que é o meu país e fico, de certa forma, tranqüilo. Em algum dia vai haver solução. Talvez eu não veja, mas meus filhos podem ver
 
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