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KOBE - Ser convocado na véspera do início da Copa para substituir o capitão Emerson e acompanhar a estréia do Brasil da cabine de um avião, no trajeto Brasil-Coréia do Sul, foi o de menos.

Difícil mesmo é chegar na quarta, já participar da partida de sábado, contra a China, e dois dias depois ser escalado como titular no treino que definiria o time que enfrentaria a Costa Rica.

Essa reviravolta incrível confundiu até o técnico Luiz Felipe Scolari. Tanto que ele recuou ao constatar que içar Ricardinho ao time titular poderia significar uma grande decepção aos reservas que estavam buscando espaço há bem mais tempo (Denilson, por exemplo, mostrou grande abatimento) e também dar mais munição a seus críticos (que reclamam da incoerência da convocação de um atleta que nunca havia sido testado anteriormente), o treinador optou por Edílson.

Mas o espaço que Ricardinho ocupou é irreversível. Ele tornou-se o 12º jogador da equipe, no mínimo o primeiro reserva. Foi o personagem da semana.

Nesta entrevista exclusiva, mostrou mais uma vez ser uma pessoa acima de tudo séria e compenetrada. Não sorriu nas perguntas engraçadas, não se irritou com as picantes. Como de hábito, mediu as palavras.

Só perdeu o rebolado quanto tocou-se no tema Marcelinho Carioca. Não quis falar o nome do desafeto e ficou irritado quando perguntado se havia voltado a falar com ele. Só assim para tirar Ricardinho dos eixos.

Você sabia que a sua convocação é o principal motivo da discórdia entre Felipão e os críticos que estão no Brasil?
A gente sabe de notícias pelos familiares, mas não sabia especificamente desta. Mas acho que o momento não é para isso. Já aconteceu. Fui convocado depois, mas já estou aqui, feliz e adaptado. Acho que não tem porque ficar discutindo agora se minha convocação foi tardia, coerente ou não.

Por falar em coerência, qual o pior defeito de um técnico: teimosia ou incoerência? É que o Felipão mostrou certa incoerência ao te convocar, mas também não foi teimoso...
Repito. Acho que isso não vem ao caso agora...

O que o Brasil tem cobrado de Felipão é um mea-culpa sobre a sua convocação. Mas se ele faz isso publicamente é como se dissesse que errou ao convocar alguém do atual grupo. Você concorda com o raciocínio?
Em relação a não ser convocado antes... Na minha posição, o Brasil tem um leque de opções. Existem outros grandes jogadores que não foram chamados. Mas o Luiz Felipe tem autonomia para escolher quem ele quiser. Quando eu fiquei de fora, ele optou por outros de grande condição. Depois, achou melhor me chamar. O treinador faz um programa para uma competição, como uma Copa do Mundo, e segue esse programa.

Mas o Felipão já conversou com você ? Em algum momento ele se disse arrependido por não tê-lo chamado antes? Deu alguma explicação?
Ele não tem a obrigação de dar nenhuma justificativa por ter convocado ou não ter convocado quem quer que seja. É como quando coloca alguém ou tira alguém do time. Ele não tem de se explicar.

Antes de ser chamado, em que momento você pensou: paciência, 2006 não está tão longe assim...?
Pensei mesmo. Tenho 26 anos e quero jogar mais nove, até os 35. Teria 30 na próxima Copa, idade ideal, talvez.

Você pensou em trote naquele domingo em que recebeu a notícia da convocação?
Não. Foi a minha mulher quem me avisou. Estava saindo da igreja e ela me avisou pelo rádio que nós usamos para nos comunicarmos. Como eu conheço a voz dela de longe... Ela falou: "Vocês estão me escutando." Estávamos eu, meu pai e meu sogro. "O Ricardo foi convocado." Voltamos na igreja e foi a maior festa. Ela ouviu na televisão e depois ligou para ela o Parreira, que já estava na Copa, para me parabenizar.

Você já tinha acertado com uma emissora de televisão para comentar os jogos do Brasil na Copa?
Eu fui convidado pela Rede TV para participar dos programas aos domingos durante a Copa. Aceitei. No domingo em que soube da convocação estava indo para São Paulo para participar da gravação.

Voltando ao Mundial, você herdou também o mesmo quarto do Emerson?
Fiquei em outro quarto. A primeira pessoa que eu encontrei quando eu cheguei foi o Emerson. "O que eu posso te dizer?", foi o que eu perguntei para ele. Estava triste por ele, pelo que ele passou. Um corte a um dia da estréia numa Copa. Ele não merecia. Ao mesmo tempo, eu estava feliz por mim. É complicado.

Você já disse que concorda com uma máxima do Parreira; de que você percebe que está num grande time quando os adversários mudam o estilo para o enfrentar. Felipão tem feito o contrário. Muda seu time de acordo com o adversário. Não temos um grande time ainda?

Não. Veja bem. O caminho do Luiz Felipe é correto. Ele pode até mudar um atleta ou outro, mas não muda a forma de o time jogar. Há quanto tempo a Seleção joga nesse sistema? A estrutura é a mesma. A Seleção tem uma cara bem definida.

Caso você ganhe a posição de titular, como ficará a cabeça de quem sair? Não é muito chato perder o lugar para alguém que chegou em cima da hora?
Olha. O grupo me acolheu de uma forma excelente. Já trabalhei com alguns em clubes, na própria Seleção e isso facilitou a integração. Todos, comissão técnica inclusive, me deixaram à vontade. Por isso, acho que não existe resistência.

Felipão surpreendeu aos jornalistas ao treinar o time dois dias com você e na véspera do jogo contra a Costa Rica anunciar que Edílson seria o titular. Você também não achou esquisito?
Para mim, foi normal. Ele gosta de armar a melhor equipe de acordo com o adversário e tem várias opções. Achou que o Edílson fosse melhor.

Mas depois do treino que teoricamente definia a equipe você dava entrevistas como titular. Felipão não falou com você que jogaria Edílson?
Ele falou para a gente o time que ia jogar só no dia seguinte (quase 24 horas após ter anunciado a escalação para a imprensa).
 
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