Xtratime Community banner

1 - 1 of 1 Posts

·
Registered
Joined
·
3,009 Posts
Discussion Starter #1
From now on I'll post this column the two times a week that it's published. Tostão is by far the best football critic in Brazil and I learn a lot from him.

I'll see if I can translate it for English, depending on how many people want and my lazyness :D

17/03

Pular etapas

Se o Parreira estivesse experimentado alguns jogadores, um ou dois de cada vez, nestes quase dois anos de partidas amistosas e pelas Eliminatórias, a Seleção não perderia o conjunto e o treinador teria mais condições de definir o time, o elenco e os reservas para os titulares absolutos, como Ronaldo.

Luís Fabiano e Adriano não jogaram uma única vez no time titular desde o início do jogo. Entrar 20 minutos não adianta. Apesar de suas qualidades e experiências nos clubes, qualquer um dos dois que substituir o Ronaldo terá mais dificuldades do que deveria nesse difícil jogo contra o Paraguai.

A única surpresa na convocação foi a ausência de Emerson. Há quatro volantes pela direita (Renato, Kleberson, Juninho Pernambucano e Júlio Baptista). Nem o Roque Júnior, que é reserva do pequeno time do Siena (Itália), entende quando vê seu nome no time titular. Ele deve perguntar ao espelho: "Espelho, espelho meu, será que não existe ninguém melhor do que eu?"

Quando digo que o Robinho deve jogar no lugar do Zé Roberto (excelente jogador), não seria para fazer exatamente a mesma função. O time jogaria como a maioria das equipes da Europa, com dois volantes e um armador ofensivo de cada lado. Robinho seria esse jogador, pela esquerda.

Em alguns momentos, Parreira deveria pular etapas, dar um descanso á sua coerência, prudência e racionalidade, e convocar o Robinho.

A diferença é o técnico

Corinthians e Atlético, dois times de muita torcida e tradição, viveram situações parecidas no fim do ano passado. Os dois clubes não conseguiram vagas para a Libertadores, não tinham dinheiro para contratar excepcionais jogadores, buscaram técnicos novos e fizeram grandes reformulações nos seus elencos.

Os jogadores contratados pelas duas equipes tinham mais ou menos o mesmo prestígio. Talvez os do Corinthians custaram mais caro. O prestígio nem sempre coincide com a qualidade.

Hoje, o Atlético, mesmo sem os dois melhores jogadores do ano passado (Velloso e Cicinho), tem um bom conjunto, um time competitivo e vibrante, com chances de ganhar o Campeonato Mineiro e fazer boa campanha no Brasileiro. A equipe já está do nível do Coritiba do ano passado, que também era treinada pelo Bonamigo e conseguiu vaga na Libertadores. Mas se o Atlético quiser ter chances de ganhar o título nacional, terá de contratar reforços.

Bonamigo indicou jogadores pouco valorizados para serem contratados, porém, com chances de evoluir e com características para atuar nas posições corretas. A equipe foi planejada. Se esses mesmos atletas fossem para o Corinthians, provavelmente, estariam hoje na mesma situação dos atuais jogadores da equipe paulista.

Enquanto isso, o Corinthians está totalmente desfigurado, com os jogadores abatidos e amedrontados. Em pouco tempo, será difícil formar um bom conjunto e contratar excelentes jogadores, já que há pouquíssimos disponíveis.

A principal diferença entre o Corinthians e o Atlético foi o técnico. A grande importância de qualquer treinador está na formação da equipe, nas contratações e no planejamento, dentro e fora de campo. Nesse péssimo momento financeiro do futebol brasileiro, os dirigentes, a comissão técnica, e principalmente, os treinadores precisam ser mais competentes e criativos do que antes.

Os principais responsáveis pela péssima situação do Corinthians são os diretores de futebol (há muitos), que planejaram e contrataram mal, e o inexperiente Juninho, que indicou e/ou concordou com os nomes sugeridos e não conseguiu dar um padrão tático a equipe, como fez o Bonamigo no Atlético.

O time piorou ainda mais com o Oswaldo de Oliveira. O aproveitamento caiu de 33,3% para 25%. O técnico e o Rivellino, que é o diretor mais ligado aos jogadores e ao treinador, não podem cometer mais erros. Oswaldo precisa recuperar o prestígio conquistado no início da sua carreira, e Rivellino, mostrar que, além de ter sido um supercraque, poderá se tornar também um bom diretor técnico.

Para se destacar em qualquer atividade ligada ao futebol, o ex-jogador precisa ter outras qualidades e conhecimentos, se identificar e se dedicar totalmente à sua nova função. Ele necessita usar a experiência do passado e, também, se desligar do passado.
 
1 - 1 of 1 Posts
Top