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"Vamos tomar um chá, para bater um papo". Foi esse o convite que o meio-campista Edu fez à reportagem do UOL Esporte em Londres, após uma partida pelo Campeonato Inglês. Repare bem. Ele falou em chá. Não convidou para um café ou para um lanche, como é costume no Brasil.

Chá é uma tradição inglesa. Prova que o jogador, desde 2001 no Arsenal, já está se tornando um típico londrino... "Eu não diria que estou virando inglês. Não tomo, por exemplo, o chá das cinco, que é muito tradicional aqui. Mas aprendi a beber chá com leite quando vim para cá", conta o jogador.

Depois de três anos no Arsenal, Edu é quase titular. Quase, como explica o próprio jogador, porque o técnico Arsene Wenger não tem apenas 11 titulares. "Ele tem um grupo de 15 jogadores que ele usa mais, que estão sempre entrando nas partidas. E eu estou nesse grupo. Jogo com Thierry Henry, Dennis Bergkamp, Robert Pirres, Patrick Vieira".

A maior evolução, porém, não veio dentro de campo. Ele chegou à Londres com 21 anos, sozinho. Tinha sempre morado com a família, em São Paulo. O único clube que conhecia era o Corinthians, onde jogava desde os 14 anos. Para piorar, chegava à Inglaterra sob suspeita, depois de ser mandado de volta ao Brasil seis meses antes com um documento falso. "Quando cheguei, o impacto foi enorme. Novo país, nova cultura e ninguém para me apoiar", lembra o jogador, hoje com 25 anos.

O jeito foi crescer. Edu entrou em contato com a cultura européia. Conheceu um novo país, fez novos amigos. Há um ano, se casou com Paula, sua namorada desde os tempos de Corinthians. Em março, nasce seu primeiro filho. Londrino. "Virei homem aqui. Deixei o Brasil como um moleque, hoje sou casado, vou virar pai. Essa experiência de vida que eu tive, e ainda estou tendo, é tão importante quanto o sucesso no esporte".


Edu em seu carro, com a placa "Y17 EDU"
Experiências, aliás, não faltaram. Em seus primeiros meses em Londres, tentou conhecer todas as atrações da cidade. Primeiro foi o Big Ben, o tradicional relógio que fica no Parlamento Inglês, no centro da cidade. Depois, foi a vez da Torre de Londres, uma fortaleza do século X na margem do rio Tâmisa. Depois de um mês, sofria uma overdose de cultura. "Nesse primeiro momento, tentei conhecer tudo, mas não dá para fazer isso. Londres é uma cidade muito grande, cheia de coisas para fazer".

Aos poucos, Edu foi se acostumando. Ele treina todos os dias pela manhã e tem as tardes livres. Além de ir ao cinema, seu principal passatempo é jogar tênis, hábito também adquirido na capital inglesa. Gosta tanto do esporte que carrega sempre uma raquete em seu carro. Após os jogos, por exemplo, a raquete fica no porta-malas enquanto a mala de roupas que levou para a concentração vai para a lavanderia. Ele costuma jogar com seus companheiros de time toda semana.

Outro novo hábito que adquiriu na Europa foram as viagens. Durante a reportagem do UOL Esporte, por exemplo, ele recebeu várias ligações no celular. Ele e Robert Pires estavam combinando uma viagem para Cannes, na França. O destino final era a casa de Patrick Vieira, capitão do Arsenal. Enquanto falava, revelou um detalhe interessante de sua equipe: "Robertinho, tudo combinado então, nos encontramos no aeroporto". O Robertinho em questão é Pires, meia do Arsenal e da seleção da França. "Quando eu cheguei ao time, todos brincaram que brasileiro só fala no diminutivo, todo mundo é Inho. Quem mais encheu foi o Pires, que fala português (ele é filho de portugueses). Então ele virou o Robertinho", conta.

O bom ambiente se reflete em campo. Totalmente adaptado ao esquema de jogo do técnico Arsene Wenger, ele virou um ídolo da torcida. Para os fãs, ele é a imagem do jogador do time. Nas ruas, por exemplo, ele não é Edu, o jogador de futebol. Ele é Edu do Arsenal, jogador de futebol. Assim como, no Brasil, ele ainda é o Edu do Corinthians. "Essa identificação é muito legal. Aqui na Inglaterra, os torcedores não são tão calorosos quanto no Brasil, a relação é mais distante. Mas sempre que saio na rua, as pessoas olham, pedem licença e me perguntam se eu sou o jogador do Arsenal".

Edu é quase um inglês. Mas, apesar do chá, da identificação com Londres, seu time e a torcida, quem o vê na rua não duvida que ele é um jogador de futebol. Mais ainda, um jogador de futebol brasileiro. Principalmente quando dirige seu carro, um utilitário todo-terreno preto, com a placa "Y 17 EDU". Observação: seu número no Arsenal é justamente 17.
 

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Cachorro
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Ze da Fiel said:
Depois de três anos no Arsenal, Edu é quase titular. Quase, como explica o próprio jogador, porque o técnico Arsene Wenger não tem apenas 11 titulares. "Ele tem um grupo de 15 jogadores que ele usa mais, que estão sempre entrando nas partidas. E eu estou nesse grupo. Jogo com Thierry Henry, Dennis Bergkamp, Robert Pirres, Patrick Vieira".
Really, this is just sad...

"quase titular" = "reserva" :D
 
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