Laszlo Bölöni: Gentleman's words - Xtratime Community
 
LinkBack Thread Tools Display Modes
post #1 of 4 (permalink) Old September 23rd, 2006, 13:23 Thread Starter
Forum Manager
Xtratime Legend
 
Filipe Reis's Avatar
 
Join Date: 08 2004
Location: Sweden
Teams: SPORTING CP & Portugal NT
Posts: 36,665
Laszlo Bölöni: Gentleman's words

One of the best coaches Sporting had in modern times was the Romanian Laszlo Bölöni. A man that always respected his opponents and that brought to our football a breath of fresh air that is unfortunately so rare these days.

Recently he gave a long interview to the Portuguese sports paper 'A Bola' and although only in Portuguese I think it's an interesting way to know a bit more about our club's recent history.




GRANDE ENTREVISTA A LASZLO BÖLÖNI
in A Bola
31.08.2006


Mónaco – Comentam os franceses que, enquanto os adeptos do Marselha conhecem de cor o nome de todos os jogadores, os jogadores do Mónaco sabem o nome de todos os espectadores. É uma piada ligeira mas uma piada com certo sentido, pois muito raramente os 22 mil lugares do Estádio Louis II ficam preenchidos, os monegascos estão inseridos numa realidade que rejeita o futebol como primeiro plano. É nesta sociedade, onde a Fórmula 1 e o ténis são mais apreciadas, e onde o envolvimento da cultura “jet set” é fortíssimo, que está inserido Laszlo Bölöni, ainda a viver num quarto de hotel a cerca de 50 metros do estádio, basta-lhe escalar uns degraus, atravessar a estrada e está lá.

Treinador do Mónaco, cujo patrão de forma muito informal é um príncipe (Alberto II) que adora futebol, treinador de um clube que procura ganhar espaço na elite do futebol francês, um emblema aparentemente rico mas com dinheiro contado ao cêntimo, como quase todos os outros.

Foi este mesmo Bölöni, campeão nacional pelo Sporting, quem perturbou o bem-estar do futebol português ao colocá-lo num terceiro nível. Um par de anos mais tarde o romeno diz que Portugal mudou muito, projectado pela Selecção Nacional, por novos estádios e por uma classe desportiva emergente. Bölöni em entrevista a A Bola a falar com sabedoria do Sporting, onde foi o último treinador campeão, de Paulo Bento, de Cristiano Ronaldo e Quaresma, Simão, Pedro Barbosa e João Pinto, do Benfica e do FC Porto, gigantes que em França não têm equivalência. Mas também o romeno a falar de Jardel, que teve dois problemas: não ultrapassou a barreira que desejava (jogar em Espanha ou Itália) e foi pessimamente acompanhado por quem o rodeava.

"The greatest glory in living lies not in never falling, but in rising every time we fall.”
Nelson Mandela
Filipe Reis is offline  
Sponsored Links
Advertisement
 
post #2 of 4 (permalink) Old September 23rd, 2006, 13:28 Thread Starter
Forum Manager
Xtratime Legend
 
Filipe Reis's Avatar
 
Join Date: 08 2004
Location: Sweden
Teams: SPORTING CP & Portugal NT
Posts: 36,665
- Já deixou Portugal há quatro anos mas a sua imagem continua em alta. Ou seja, ficou a marca Bölöni…
- Não me apercebo disso, francamente, mas sinto isso sim saudades de Portugal. Saudades das pessoas, com grande qualidade interior, de uma cultura que eu desconhecia, enfim, tive muita sorte naquela passagem da minha carreira.

- Aprendeu alguma coisa em Portugal?
- Aprendi o idioma (Bölöni fala português com fluência certeira apesar de já não ter professor), aprendi a amar o fado. É curioso que, a propósito de fado, recebi uma carta muito bonita de uma fadista que sofre muito pelo Sporting, aquela que pinta o cabelo de verde. Maria José Valério. Fiquei muito sensibilizado com o seu gesto, conhecia-a quando começava a descobrir a vossa música.

- O fado é triste…
- É triste mas tem muito de belo e muito de Portugal, apela a uma introspecção incrível, é algo muito profundo.

- Para além dessa vivência cultural toda que lhe trouxe experiências enriquecedoras foi, não menos importante, campeão pelo Sporting.
- Foi uma sorte para mim conseguir explorar o meu trabalho daquela forma, o que obtivemos no Sporting foi algo de boa qualidade. Títulos, taças, lançamento de jovens jogadores e, também produção de dinheiro para apoiar financeiramente o clube. Foi fácil, havia uma secção de grande qualidade, trabalha-se bem no Sporting.

- Todavia, em visão mais global o futebol português não o surpreendia assim täo positivamente. Recorda-se quando em determinada fase afirmou que em Portugal o futebol era de terceiro nível?
- Recordo pois, disse-o porque achava que tinha de o dizer, além disso era a verdade. Alguma coisa mudou entretanto. Portugal expandiu-se muito graças ao percurso da Selecção Nacional, a imagem dos estádios novos veio valorizar muito o campeonato, há também uma classe desportiva emergente que tenta fazer um trabalho diferente, os clubes têm tido mais coragem. Portugal é agora um país do futebol, não tenho dúvidas disso, mas ainda não se aproximou do topo, está um pouco longe de Espanha, Inglaterra, Itália, por exemplo. E também está um pouco distante do campeonato francês. Em França não há um FC Porto, um Sporting ou um Benfica, longe disso, mas o futebol francês ainda está à frente do português.

- O que o incomodava na altura para ter sido tão duro?
- Diversas coisas. Recordo-me por exemplo da primeira vez que fomos jogar em Barcelos. Entrei no estádio e pensei para comigo: Meu Deus, é aqui? Aquilo era um quadradinho com os muros em cima do relvado. Hoje o Gil Vicente já tem um estádio harmonioso, ainda bem que assim é, pois precisava disso mesmo.

- Detectava falhas apenas no plano organizativo e logístico ou também técnico?
- Tecnicamente nunca houve qualquer problema com o futebol português. O estilo é distinto de França, onde trabalho agora, mas Portugal tem uma boa matriz. Quarenta por cento dos jogadores chegam do Brasil e isso fomenta uma agressividade suave, com mais toque de bola, joga, joga, joga…É um futebol atraente e nada cansativo.

- E no plano físico?
- No plano físico nada há a dizer, os jogadores portugueses estão em muito bom nível, tiro-lhes o chapéu. Inclusivamente os grandes talentos, como João Pinto, por exemplo, aplicam-se a fundo. O João tem qualidade notável, eu pensava que não precisaria de grande esforço durante os treinos mas acontecia precisamente o contrário. Grande profissional a tempo inteiro.

- Pedro Barbosa, por exemplo, também se aplicava nos treinos?
- Aplicava-se no seu ritmo. Era um óptimo profissional, fiquei contente com ele, a sua experiência foi determinante. Mas o Rui Jorge, nesse aspecto, foi o jogador mais inteligente que conheci.

- Então?
- Era incrível como ele, sem pé direito, com pouca rapidez e com jogo aéreo quase nulo, fosse tão bom. Grande carácter o dele.

- Também era admirador de Simão. Recorda-se quando, enquanto treinador do Sporting, foi ao hospital visitá-lo depois de uma operação? Esqueceu-se da rivalidade entre os dois clubes, das más interpretações.
- O que as pessoas disseram na altura foi uma incrível falta de respeito para comigo. Não tem nada a ver com Sporting e Benfica, tem a ver om civismo. Eu apreciava muito Simão, e ainda continuo a apreciar, e visitei-o no hospital por uma questão de respeito e desejar-lhe as melhoras. Nao sei como o episódio foi interpretado de outra forma, nessa altura fiquei muito chateado.

- Se pudesse contratava Simão para o Mónaco?
- Claro que sim, há jogadores portugueses que me interessam permanentemente.

- Tentou contratar Simão?
- Não, Simão é jogador demasiado caro, investimento enorme para o Mónaco. Nós temos um príncipe mas não somos ricos, antes pelo contrário. Tentei resgatar Bosingwa ao FC Porto mas não me deixaram trazê-lo para aqui. Não houve negócio e foi pena. Mas eu vou continuar a insistir com os jogadores portugueses porque o nível deles é muito alto.

"The greatest glory in living lies not in never falling, but in rising every time we fall.”
Nelson Mandela
Filipe Reis is offline  
post #3 of 4 (permalink) Old September 23rd, 2006, 13:34
Defunct
Xtratime Legend
 
numerodix's Avatar
 
Join Date: 09 2000
Location: NL
Teams: Forza, Allez, Amunt
Posts: 23,341
Could you tell me what it says about Monaco (if anything)?

La Juve? Lasciamo perdere.
numerodix is offline  
 
post #4 of 4 (permalink) Old September 23rd, 2006, 13:34 Thread Starter
Forum Manager
Xtratime Legend
 
Filipe Reis's Avatar
 
Join Date: 08 2004
Location: Sweden
Teams: SPORTING CP & Portugal NT
Posts: 36,665
Mónaco – É em La Turbie, centro de estágio do Mónaco com dois campos relvados, que Laszlo Bölöni costuma afinar a equipa. O centro, a cerca de mil metros do nível do mar, já é um pouco pequeno para as necessidades do clube, pois a equipa principal treina-se num dos relvados e os juniores no outro, faltando espaço para os escalões mais baixos. Chega-se a La Turbie sempre a subir desde o centro da cidade, uma ascensão de cerca de seis quilómetros. Sendo a funcionalidade menos objectiva, o centro de estágio do Mónaco é parecido com a Academia do Sporting, onde Laszlo Bölöni e Rolão Preto, sempre seu adjunto, realizaram trabalho notável. E foi também na Academia que o romeno descobriu no jogador Paulo Bento qualidades para ser treinador. Também encontrou, por fim, um jogador então com 16 anos que agora trilha o caminho do sucesso: Yannick Djaló.

- Como tem acompanhado a carreira de Paulo Bento enquanto treinador do Sporting?
- Não é uma surpresa para mim tê-lo visto chegar onde chegou. O Paulo era dedicado e jogava com inteligência de treinador, óptimo posicionamento em campo, capacidade de liderança e uma carreira onde aprendeu muita coisa. Não sei se chegou cedo à equipa principal, isso nunca saberemos, mas já deve estar a perceber uma coisa: nesta nova actividade tem de ganhar.

- O dever de ganhar sempre deve representar pressão terrível para um treinador.
- Não penso que ele esteja muito preoupado com isso, tem espírito forte. Mas a pressão é de facto terrível e por vezes os dirigentes utilizam o treinador como explicação para o insucesso, isso acontece com certa frequência em Portugal. O que acontece é que por vezes a base não é sólida, porque antes de se ganhar tem de ter-se política desportiva correcta, definir-se onde se quer chegar e em quanto tempo. Só nessas bases pode desenvolver-se um bom trabalho. Ganhar todos querem, mas só com método isso se consegue, e apenas um consegue ganhar. Nos meus prscimeiros tempos do Sporting, difíceis, reconheco, ainda mal sabia dizer bom dia a já queriam despedir-me. Por vezes falta paciência para consolidar um bom trabalho.

- O Sporting teve a paciência que reclamava e você pagou com a descoberta de alguns talentos, como Cristiano Ronaldo ou Quaresma.
- Mas eu não os descobri. Eles estavam lá e tinham talento, eu tentei cultivá-lo. Aliás, era essa a política do clube, eles disseram que se ia tentar construir algo como base na formação, situação a justificar um pouco de coragem de todos os lados. Mas o Sporting tinha regras definidas e creio que me escolheu para as colocar em prática.

- Já nessa altura podia prever que talentos como Ronaldo, Hugo Viana ou Quaresma, a quem você chamou “mustang”, iriam chegar tão longe?
- Isso é algo que não se pode prever. Mas senti, em relação a Ronaldo, que se não fosse o Manchester United seria o Chelsea, se não fosse o Real Madrid era certamente o AC Milan. E também senti que ele e Quaresma iriam dar muitas alegrias à Selecção Nacional, ao povo português, porque o talento afirma-se mais tarde ou mais cedo.

- Na fase mais adiantada da sua carreira em Alvalade lancou Yannick Djaló, então com 16 anos. Ele parece despontar de vez agora.
- O que aconteceu com o Yannick foi curioso. Alguém me disse, em determinada fase da temporada, que havia mais um jogador na equipa B que podia interessar-me. Fui ver o jogo e vi aquele miúdo, pequenino mas com imensa qualidade, gostei dos seus movimentos. Depois disse aos responsáveis do clube: é aquele que eu quero.

- Yannick, portanto, não era o seu alvo.
- Não, na altura a indicação era para outro jogador.

- Depois disso surge a famosa história da Coca-Cola. Pagou realmente a aposta por ele ter marcado num jogo treino?
- Paguei, claro, uma grade de Cola completa. Recordo-me que se ele perdesse a aposta tinha de pagar-me uma garrafa de champanhe. Mas eu não ia cobrar, como é evidente.

- E assim se ganhou um futuro grande jogador…
- Mas não foi apenas por isso, isso foi uma pequena parte da história. A certa altura Pedro Mil-Homens veio conversar comigo e pediu-me para falar com Yannick, que não ia bem na escola. Conversei com ele de forma clara, pedi-lhe para se aplicar nos estudos e se assim fosse a porta da equipa A estaria aberta. Mas aberta para os dois lados, da B para a A e da A para a B, como eu disse a todos os jogadores. Depois decidi apostar em Yannick. Certo dia testei-o, disse-lhe que talvez tivesse medo de jogar com profissionais e ele respondeu, ainda hoje me recordo: “Não tenho medo de ninguém!” Ele ainda está a crescer, tem um potencial incrível, pode ousar aproximar-se do valor de João Pinto.

- Para além de todas as grandes esperanças também teve um magnífico Jardel, ele fazia a diferença.
- Jardel era excelente, eficácia muito grande, mas não atingiu o limite das suas capacidades. O problema é que Jardel teve dois problemas. Primeiro porque não passou a barreira que talvez merecesse saltar, ou seja, jogar num clube de altíssimo nível em Espanha ou Itália e impor-se na selecção brasileira.

- Qual foi o segundo problema na vida de Jardel?
- A certa altura ele comecou a lidar com as pessoas que não devia, andava mal acompanhado, a sua entourage não se aconselhava de todo.
Mesmo que não se esteja no melhor campeonato do mundo tem de respeitar e ser-se respeitado mas a dada altura Jardel ficou um pouco miúdo. E esse foi o seu grande problema.

- Nessa fase teve muita paciência com ele…
- Houve muita paciência, muito trabalho sensível, pois tinha de defender-se o jogador no plano humano e desportivo. Os golos de Jardel eram importantes para nós, ele foi muito importante na conquista do título e o investimento do clube na sua contratação tinha sido altíssimo (comprado ao Galatasaray por cinco milhões de euros). Ora, o Sporting tinha de recuperar esse investimento e eu tentei dar-lhe energia positiva, alguns jogadores também tentaram empurrá-lo para a frente mas esse esforço não foi suficiente.

- Jardel joga agora no Beira-Mar.
- Desejo-lhe a máxima sorte, acho que o futebol foi algo que ele encontrou de muito bom para a sua nova vida.
-------------------------------------------------------------

"The greatest glory in living lies not in never falling, but in rising every time we fall.”
Nelson Mandela
Filipe Reis is offline  
Reply

Quick Reply
Message:
Options

Register Now



In order to be able to post messages on the Xtratime Community forums, you must first register.
Please enter your desired user name, your email address and other required details in the form below.

User Name:
Password
Please enter a password for your user account. Note that passwords are case-sensitive. Try to avoid choosing short (like '1'), simple (like 'abcd') and easy to guess passwords (like a name of your favorite team, player, etc)! Complex and long enough passwords, that consists of random string of alphabet and numerical characters, are almost impossible to be stolen and misused.

Password:


Confirm Password:
Email Address
Please enter a valid email address for yourself.

Email Address:
OR

Log-in











Currently Active Users Viewing This Thread: 1 (0 members and 1 guests)
 
Thread Tools
Show Printable Version Show Printable Version
Email this Page Email this Page
Display Modes
Linear Mode Linear Mode



Posting Rules  
You may post new threads
You may post replies
You may not post attachments
You may not edit your posts

BB code is On
Smilies are On
[IMG] code is On
HTML code is Off
Trackbacks are On
Pingbacks are On
Refbacks are On

 
For the best viewing experience please update your browser to Google Chrome